sexta-feira, 2 de novembro de 2012

                          A PRIMEIRA VEZ NINGUÉM ESQUECE
                                  (TESTEMUNHO)

    Na minha bela cidade de Ponta Grossa no Estado do Paraná, no Bairro Nova Rússia, numa rua paralela com a Av. Ernesto Vilela tinha uma Escola de nome Grupo Escolar Professor Amálio Pinheiro que ficava em frente a uma Praça chamada Praça José Hoffmann, conhecida como Praça do Juca. Lá, tinha um pequeno zoológico.
   Era o meu primeiro ano de escola, já no fim do ano, numa tarde quando eu saía da escola como sempre ficava por alguns instantes no pequeno zoológico brincando com os bichinhos; naquela tarde, um toque de acordeão me chamou a atenção, era uma mulher que cantava e tocava gaita fazendo um trabalho para crianças. Ela nos reuniu e ensinou um cântico que dizia:
                   "Estou alegre / Estou alegre /
                  Segunda, Têrça, Quarta, Quinta /
                  Sexta, Sábado e Domingo./
                  Estou Alegre / Estou alegre /
                  Porque Cristo é o meu Bom Pastor."
   Após o cântico ensinado, ela já tinha um flanelógrafo montado, e nele colocou as figuras de uma mulher e duas crianças, um menino e uma menina. Contou-nos a seguinte história: A mulher que vestia um avental velho e remendado era mãe das crianças, era viúva e trabalhava lavando roupas para criar os seus filhos. Mas as crianças eram muito traquinas e na distração da mãe, foram a uma pequena mata e mexeram com um ninho de marimbondos. Atacadas pelos insetos ferozes, correram para os braços da mãe. A mãe sem pensar muito levantou o avental e abrigou os filhos. A seguir, a senhora do acordeon, colocou no flanelófrafo a imagem da mãe com o rosto e braços completamente inchados pelos ferrões dos marimbondos. Moral da história: Deus viu que nós, os seus filhos estávamos em perigo neste mundo e blá,blá,blá...mandou o seu filho Jesus para sofrer em nosso lugar e nos salvar e o sofrimento de Nosso Senhor Jesus Cristo foi tanto, que Ele morreu na cruz.
   Como as crianças gostam de histórias, nós houvimos atentamente. Depois, ele perguntou se alguém queria aceitar a Jesus como salvador e ajudador do papai e da mamãe.
   Eu levantei a minha mão. Lembro que ela colocou a mão na minha cabeça e me entregou a Jesus.  Ao chegar em casa a minha mãe quase me surrou e disse que eu não devia andar com crentes e que tínhamos religião.
   Aquela mulher tinha a seguinte aparência física: Era bem forte, muito branca, cabelos louros tipo óxigenados, falava com com pouco sotaque. Anos depois eu descobriria que ela era missionária vinda da Suécia e pregava na Igreja Batista Independente ( ou Bethel, salve engano).
   A Minha primeira imposição de mãos foi feita por uma serva de Deus que veio de outra parte do mundo. E aquele acordeon me despertou para a música, o ano era 1954.
   =Dois anos depois, quando eu tinha 9 anos de idade, uma carroça com toldo puxada por dois cavalos e na boléia um homem velho com uma mulher jovem aparentando trinta ou quarenta anos, estacionou no pátio do casebre em que morávamos e pediram para passar anoite ali.  Lá pelas 18 horas, a mulher pediu á minha mãe permissão para fazer a janta no nosso fogão e assim jantaríamos com eles. Pronto o jantar, a mulher foi á carroça e pegou duas Bíblias e dois livrinhos, eram hinários. Então se apresentaram dizendo que eram crentes em Jesus e que estavam em viagem de evangelização, ele se chamava Francisco e era evangelista da Igreja Assembléia de Deus da cidade de União da Vitória, ele ficara viúvo e já velho, Deus falara a ela para que o acompanhasse no Ministério. Fizeram um devocional, cantaram dois hinos, o primeiro dizia "ó, que descanso em Jesus encontrei / Cristo pra mim / Cristo pra mim"; o segundo dizia "Quando o sol brilhar em qualquer lugar/ Tu precisa de Jesus."  Depois leram a Biblia, ensinaram e oraram. Fizeram o clássico apelo para aceitarmos a Jeus como Salvador, e depois jantamos.
   =No ano de 1959 a Tenda de Jesus da Igreja do Evangelho Quadrangular chegou à cidade com o Pr. Mariano de Castro. no final desse ano alugaram um imóvel na Av. Ernesto Vilela em frente a Fábrica de Móveis Pietrobelli onde eu trabalha mesmo sendo menino, aquele Tabernáculo tinha como titular um pastor chamado Adelmo Barbosa de Sousa, farmacêutico formado em Salvador-BA.No início de 1961 o pastor foi substituido pelo Pr. Emilio Endress, que tinha aberto a IEQ no Rio Grande do Sul e tinha sido pastor em Joinville onde se casou, pioneiro em Vitória-ES. Então, eu achei que tinha idade para me batizar.
  
  Para não esquecer esses acontecimentos, eu usava em Rádio uma vinheta que dizia mais ou menos assim "...Aos 7 anos de idade viu a Luz. Aos 9 anos recebeu a presença do Cristo...", isso por causa da pregação na Praça José Hoffman e da visita do evangelista "seu" Francisco em minha casa em 1.956.
  
   =Como esquecer a primeira pregação? Como esquecer a primeira imposição de mãos? E o primeiro pastor?Deus não chama ninguém por acaso.
                      Até a próxima, irmãos. Rev. A. Pedro Silva.